Vidas

A compra de uma obra de arte, se num primeiro momento pode ser fruto de um impulso estético, é na realidade um acto de crescimento e um abrir de portas para mundos préviamente desconhecidos.

A biografia de um artista ajuda a contextualizar a obra, permitindo uma compreensão mais profunda de influências que originaram o seu trabalho e a sua trajectória, e ajudando a formar uma crítica mais informada e lúcida  enriquecendo a experiência de apreciação e entendimento da arte.

JUSTINO ALVES

João António dos Santos Justino Alves nasceu no Porto em 1940, tendo aí falecido em 2015.

Licenciou-se em Pintura pela ESBAP.

Foi director da Academia de Belas-Artes do Funchal entre 1968 e 1970, e posteriormente professor na Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Paralelamente ao exercício da docência elabora o trabalho de autor patente em inúmeras exposições colectivas e individuais.

Foi para Paris em 1976 como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian. Aí expõe no Centro Cultural Calouste Gulbenkian e na Galeria Documenta tendo apresentado obra nos Salões “Realités Nouvelles” e “Grand et Jeune D’Aujourd’hui”.

Regressa a Portugal em 1978 tendo mantido sempre e em paralelo a carreira de artista e de docente ficando para sempre ligado a várias gerações de artistas que com ele começaram as suas carreiras e de quem sofreram grande influência.

Participou em muitas dezenas de exposições individuais e colectivas.

Encontra-se representado em vários Museus e Instituições Públicas. 

É Membro Titular Honoris Causa da Academia Europeia de Belas artes

pelas palavras do próprio:

“A pintura é o espaço adequado à sensibilidade que sempre me acompanhou, e o meio por excelência que possibilitaria concretizar uma obra de autor”.

DAVID DE ALMEIDA

David de Almeida nasceu em S. Pedro do Sul em 1945 e morreu em Lisboa em 2014.

Frequentou a Escola António Arroio e o curso de Gravador e Litógrafo na Cooperativa de Gravadores Portugueses. Em Paris Frequentou o Atelier 17 e em Londres a Goldsmiths University, na especialidade de holografia, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenquian. Estagiou nos Moinhos do Vale do Lagat, em França onde se especializou na fabricação do papel manual.

Expõe individual e colectivamente desde 1970.

Realizou variadíssimas intervenções em espaços públicos , nomeadamente em S. Paulo, Macau, Cabo Verde e Lisboa. Premiado inúmeras vezes em Portugal e em Espanha, está representado em colecções públicas e privadas em vários países.

Foi um dos mais importantes gravadores portugueses, tendo-lhe sido atribuído em 1997 o título de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

“… O que esta gravura esconde e mostra é o trânsito do ser no tempo e a sua passagem pelos espaços, os sinais dos dedos, as raspaduras das unhas, as cinzas e os tições das fogueiras apagadas, os ossos próprios e alheios, os caminhos que eternamente se bifurcam e se vão distanciando e perdendo uns dos outros. Este grão que aflora à superfície é uma memória, esta depressão a marca que ficou de um corpo deitado. O cérebro perguntou e pediu, a mão respondeu e fez.”

José Saramago, 1999

RODRIGO FERREIRA

Rodrigo Ferreira nasceu em Paris em 1951. Vive e trabalha em Auvers-sur-Oise.

Frequentou a Escola Nacional Superior de Belas-Artes em Paris

De 1981 a 1985 foi bolseiro do Ministério Francês dos Negócios Estrangeiros no Centro Franco-Egípcio dos Templos de Karnak. Em 1982 recebeu o Prémio da Société Nationale des Beaux-Arts, Paris, França.

Realizou várias exposições individuais e coletivas, sobretudo em Portugal e França.

“… Regressamos às raízes mediterrânicas, à nostalgia e à quietude, onde o tempo parou.”

Carlos Neves Carvalho, 1996

GONZALEZ BRAVO

Justo Gonzalez Bravo nasceu em Badajoz, Espanha, em 1944. Vive e trabalha em Lisboa desde 1970.

Expõe individual e colectivamente desde 1980. Está representado em inúmeras colecçoes particulares e públicas em Portugal e no estrangeiro.

“… cada quadro é um espaço onde a continuidade de uma feitura……é continuamente alterada, por um sem número de acidentes que,…, imprimem uma constante mudança na continuidade desta pintura….”

José Luís Porfírio, 2007

FRANCISCO ARIZTÍA

Francisco Ariztía nasceu em Santiago do Chile em 1943 e morreu em Lisboa em 2022.

Licenciou-se em Pintura na Escola Nacional de Belas Artes de Santiago do Chile. Na Europa frequentou as Escolas de Belas Artes de Belgrado de Paris e de Bolonha.

Voltou ao Chile durante o mandato presidencial de Salvador Allende. Em 1973, após o golpe de estado de Pinochet, refugia-se na Europa. Em 1975 radica-se em Portugal, e obtém a nacionalidade portuguesa em 1988. Em 1998 assume o cargo de adido cultural da Embaixada do Chile em Portugal, contribuindo fortemente para o aprofundamento das relações culturais entre os dois países.

Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian (estudos de serigrafia) e professor de desenho e pintura na Sociedade Nacional de Belas-Artes e na Escola Superior de Artes Decorativas.

Participou em várias exposições individuais e colectivas no Chile, Portugal, Espanha, Alemanha, Holanda e Uruguai.

Está representado em inúmeros museus na Europa e América do Sul.

A sua obra passa pela pintura, desenho, gravura, serigrafia, escultura e arte mural, evocando sempre, nos traços e nas cores intensas, as paisagens chilenas e revelando a sua alma de caminhante entre pessoas e lugares.

“… Francisco Ariztía tem o pudor de retratar a violência. … Troca pelo humor a nódoa do sangue a pintar de obrigação num corpo ofendido, no lugar da ferida. … Mas o drama está lá, procurando bem.”

Fernando de Azevedo, 1997